Lombalgia: a fisioterapia pode resolver?

Por Iara Regina Cunha Soares Ursine



A tríade diagnóstica classifica a lombalgia em dor lombar idiopática (não específica), dor lombar radicular (causada por compressão da raiz nervosa) e patologia séria (causada por tumor, infecção, doença articular inflamatória ou fratura), sendo a dor lombar idiopática a mais comum entre os casos encontrados na clínica de reabilitação fisioterápica. 


A dor lombar idiopática pode estar relacionada a causas multifatoriais, que não permitem identificar causas anatômicas específicas, sendo caracterizada como dor nociceptiva, inflamatória, disfuncional ou neuropática. Ela pode se apresentar clinicamente de duas maneiras: - mecânica com localização anatômica bem definida; ou não mecânica com resposta ao estresse exagerado, com localização anatômica não definida ou mista. Portanto, a avaliação clínica fisioterápica deve focar nas incapacidades relevantes e nos problemas consequentes à lombalgia.


A lombalgia pode ainda ser identificada pelo tempo de duração, como aguda, subaguda, crônica ou recorrente. Diretrizes clínicas recomendam que os tratamentos para os quadros agudo ou subagudo devam incluir: - informação ao paciente do prognóstico - aconselhamento para se manter ativo; - prescrição de medicamentos analgésicos ou anti-inflamatórios não esteroides por médico especialista, quando necessários. E para os quadros crônico ou recorrente: - desencorajamento de uso de eletrotermoterapia; - uso de medicação ou terapia manual em curto prazo; - prática de exercícios supervisionados (gerais e de controle motor) por profissional de saúde; - terapia cognitiva comportamental; - tratamentos multidisciplinares.


A reabilitação fisioterápica tem por objetivos a diminuição da dor, o aumento gradual de atividades e a participação do paciente. Recursos fisioterápicos, como a ioga, exercícios de controle motor, terapia manual, massoterapia e os métodos Pilates e McKenzie, além de aconselhamento e autocuidado, são eficientes na reabilitação. Em geral, exercícios que promovam fortalecimento associado a alongamentos e exercícios aeróbicos trazem benefícios na diminuição da dor e no retorno às atividades funcionais.


Estudos recentes constataram que o engajamento em atividade física de lazer reduz o risco de futuros episódios de dor lombar. A decisão da forma de tratamento deve se basear em custo, segurança, preferência do paciente e o autocuidado deve ser encorajado, para que o paciente aprenda habilidades a serem utilizadas na administração diária de sua condição de saúde.



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Fonte: Oliveira VC. Dor lombar idiopática. In: Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva; Mendonça LM, Vezzani S, organizadores. PROFISIO Programa de Atualização em Fisioterapia Esportiva e Traumato-Ortopédica: Ciclo 3. Porto Alegre: Artmed/Panamericana; 2014. p. 61-105. (Sistema de Educação em Saúde Continuada a Distância, v. 3).

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