Idadismo, você sabe o que é?

por Laila Junqueira



O termo Idadismo caracteriza o preconceito e a consequente “discriminação pela idade ou pela aparência de idoso”, também conhecido como Etarismo ou Ageísmo (derivado do inglês “ageism”). Foi descrito inicialmente pelo psiquiatra norte-americano Robert Butler, em 1969. Hoje, chama a atenção para as discussões correntes, como a que considera que “somos excessivamente velhos” para ser, viver ou fazer algo como sujeito de uma ação individual ou coletiva.



Em 2017, a Organização Mundial da Saúde divulgou uma pesquisa realizada com 80 mil participantes longevos, cujo resultado apontou que mais de 60% deles se sentiam desvalorizados perante a sociedade. Tal tipo de preconceito gera nos idosos a ideia de não pertencimento, como se eles não soubessem mais se comportar corretamente de acordo com os códigos sociais. Observações como: “você não aceita a sua idade” ou “esta roupa está muito curta/decotada para a sua idade” revelam críticas à maneira como o idoso(a) se comporta, como se houvesse um limite máximo de idade para se usar determinada roupa.


Associada ao Etarismo, uma pressão social ainda mais intensa ocorre entre as mulheres, que são diariamente bombardeadas pela expectativa de se manterem sempre jovens, de evitar aparentar a idade que têm, com estímulo a procedimentos estéticos invasivos que estiquem a pele, aumentem os lábios e as bochechas e lhes confira o viço de uma adolescente.


As repercussões vão muito além da queda da autoestima ou do paradoxo da beleza estética, ao se cobrar que uma pessoa se comporte de acordo com a sua idade “avançada”, fazendo dela um ser invisível que abandona atitudes próprias, desejos, vestimentas, atividades e até mesmo sua profissão. Essas repercussões resultam em estados de ansiedade e depressão nas pessoas mais velhas.


Para se adequar às restrições que derivam de tanto preconceito, muitos “idosos” mudam seu comportamento e acabam por se afastar de atividades voltadas para uma vida ativa e saudável, mental e fisicamente. Estudos demonstram que as consequências do Etarismo podem estar relacionadas à redução de, em média, 7 anos ou mais de expectativa de vida do idoso.


É imperioso, portanto, que a sociedade se conscientize da importância de promover maior e melhor integração entre as gerações, o que resultará em benefícios claros para a saúde e o bem estar dos idosos e, ainda, para uma sociedade mais madura, com raízes sólidas que vivenciem, enalteçam e compartilhem o saber e a experiência adquiridos pelos mais velhos.

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